A FELICIDADE É INERENTE EM SEU PRÓPRIO SER – Rupert Spira

A FELICIDADE É INERENTE EM SEU PRÓPRIO SER
Rupert Spira

É você próprio que conhece ou experiência a sensação de carência ou insatisfação – uma sutil ou não sutil sensação de inquietação ou desejo de mudar a situação atual – que caracteriza a maioria de nossos pensamentos, sentimentos e ações. Essa sensação de carência é conhecida como infelicidade ou sofrimento. Pode ser agudo ou apenas um vago senso de insatisfação sutil que permeia nossa experiência e expressa a si mesma como um quase impulso constante de mudar a situação atual por uma melhor alternativa no futuro.

Nós somos conscientes dos pensamentos que buscam mudar a situação atual por alguma que julgamos ser mais desejável, mas nós não somos esses pensamentos, nem os sentimentos que eles procuram evitar. A sensação de carência é para o pensamento, não para nós mesmos.

A felicidade não é um estado da mente ou corpo, embora seja frequentemente confundido por tal. É claro, experiências prazeirosas da mente e do corpo vem e vão, mas a felicidade não tem nada a ver com essas experiências prazeirosas. Nem é a felicidade uma qualidade que nós temos ou experienciamos que vem e vai. É a inata falta de resistência ou insatisfação que é o estado natural de nós mesmos. Não é uma coisa que possa ser separada de nós mesmos. É o que nós ‘somos’.

Sem o surgimento do pensamento, nosso verdadeiro ser da Presença Consciência não conhece resistência a situação atual. É completamente intima, um com ela. A Consciência diz “Sim” para todas as aparências. O fato que qualquer coisa estar aparecendo significa que a Consciência já disse “Sim” a isso. Esse “Sim” é felicidade. Não conhece nenhuma resistência ou procura, nenhum desejo de mudar a situação atual para uma melhor.

Essa felicidade é presente sob todas as circunstâncias. É a condição natural de toda a experiência, anterior ao surgimento do pensamento de resistir/buscar e mesmo durante ao aparecimento, embora, aparentemente ocultado por ele. A felicidade como a paz, é inerente a nós mesmos. Somos nós mesmos.

Assim como nós mesmos somos sempre-presente, observando silenciosamente todas as aparências mudando da mente, corpo e mundo e ainda sim intimamente um com elas, então a felicidade que é inerente a nós mesmos é igualmente sempre-presente. Embora algumas vezes aparentemente oculta, essa felicidade descansa no coração de toda a experiência, aguardando ser reconhecida.

A razão porque nós falhamos frequentemente em perceber isso é que nos desviamos da situação atual e tentamos substituir por uma melhor. Nós procuramos felicidade em um objeto ou situação no futuro, consideramos assim, e na verdade é sentando silenciosamente ao coração de toda a experiência agora, não importa qual as características particulares da experiência. É apenas o nosso afastamento, ou nossa rejeição da experiência atual, que faz parecer que a felicidade não está presente agora e por tanto será encontrada no futuro.

O anseio pela felicidade que caracteriza a maioria de nossas atividades é somente o anseio de provar a felicidade que é inerente e sempre-presente em nossa verdade natureza e foi temporariamente eclipsada pela rejeição da situação atual, ou rejeição desse ‘agora’.

Esse perpétuo anseio pela felicidade – no qual pode, por definição, nunca ser preenchido porque nega a felicidade que está presente em nosso ser agora – condena a nós por uma buscam sem fim no futuro e assim perpetua a infelicidade. É por essa razão que Henry Thoreu disse, ‘A maioria dos homens vive uma vida de desespero silencioso’.

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